Eu preciso colocar pra fora, o quanto estou triste e frustrada e decepcionada e puta.
Eu preciso deitar e chorar até dormir, preciso de um descanso do mundo, preciso de menos pessoas e mais almas. Preciso de uma limpeza de espírito forte o suficiente pra me fazer acreditar de novo que o mundo ainda precisa de mim.
Porque sinceramente, eu acho que estrago muito mais do que conserto.
Quero paz, quero deitar sossegada, encostar minha cabeça no travesseiro e sorrir. Quero poder ajudar e mostrar pras pessoas que eu não sou um monstro. Ou será que sou?
8 de ago. de 2017
Hoje eu me sinto suja.
Suja de amor, suja de querer o bem de alguém, suja de culpa por se divertir.
Suja de acreditar, suja de perdoar, suja de tentar.
Suja de coração, suja de pecado, suja de suor que não é nem deveria ser meu.
Suja de não saber pra onde ir, suja de tristeza pela perda, suja até de terra.
Sim, porque eu deveria mesmo é me enterrar, e ficar lá, sozinha e feliz.
Amar suja, eu sei que isso é normal, mas suja tanto assim mesmo? Será que sou eu quem sujo os outros?
Talvez seja um sinal. E começo a ver que a sujeira em mim forma uma frase: "Pare de tentar tanto, pare de querer sempre agradar, pare de ser assim."
E agora? Eu limpo a sujeira de mim e consequentemente apago a frase? E agora?
Acho que não tem jeito. O jeito é desumanizar, é limpar tanto até virar uma ala hospitalar de primeira classe, e depois disso, não pisar mais em lugar algum. O jeito é não arriscar mais.
Quem me dera eu pudesse entender direito, acho que meu cérebro está cheio de sujeira.
Suja de amor, suja de querer o bem de alguém, suja de culpa por se divertir.
Suja de acreditar, suja de perdoar, suja de tentar.
Suja de coração, suja de pecado, suja de suor que não é nem deveria ser meu.
Suja de não saber pra onde ir, suja de tristeza pela perda, suja até de terra.
Sim, porque eu deveria mesmo é me enterrar, e ficar lá, sozinha e feliz.
Amar suja, eu sei que isso é normal, mas suja tanto assim mesmo? Será que sou eu quem sujo os outros?
Talvez seja um sinal. E começo a ver que a sujeira em mim forma uma frase: "Pare de tentar tanto, pare de querer sempre agradar, pare de ser assim."
E agora? Eu limpo a sujeira de mim e consequentemente apago a frase? E agora?
Acho que não tem jeito. O jeito é desumanizar, é limpar tanto até virar uma ala hospitalar de primeira classe, e depois disso, não pisar mais em lugar algum. O jeito é não arriscar mais.
Quem me dera eu pudesse entender direito, acho que meu cérebro está cheio de sujeira.
19 de mai. de 2017
Um suspiro entre o cinza e o egoísmo
Anteontem, caminhando da aula pra casa, percebi uma pequena grandona em meu caminho de um jeito que nunca antes a havia visto: sufocada, porém lutando e viva! Em uma calçada que mal suporta uma pessoa caminhando, havia uma árvore plantada. À sua frente, um poste de energia com fios baixos e pesados, e atrás de si, uma cerca que protegia uma casa, de tamanho médio, quase alto. Por entre os dois elementos, mal dava espaço para o sol chegar ao chão, mas mesmo assim, a árvore encontrou um meio de sobreviver ali. Completamente inclinada e apertada, mas ainda assim, tão verde e firme quanto qualquer árvore possa ser! E eu a admirei, e a amei, e quis cuidar dela. Mesmo em uma situação adversa e nada agradável, mesmo sendo uma árvore, que deveria ser firme, dura, fixa, esta pequena grande guerreira deu seu jeito, se dobrou, se torceu, foi flexível, e assim, sobreviveu, e agora colhe os melhores frutos de sol, lá de cima, onde não há sombras atrapalhando e por onde os pássaros tem livre acesso para habitá-la e fazê-la feliz. A vida é mesmo uma lição aprendida nos detalhes, que se aproveita apenas quando os olhos da alma se abrem para o mundo. É preciso delicadeza para notar as sutis vidas em uma cidade grande, e já havia algum tempo que eu não conseguia mais notar.
12 de mai. de 2017
Aquele grito casual obrigatório
É tanta hipocrisia, falsidade, manipulação doentia. As pessoas acham que é vantagem ser malvado com os outros, porque assim "saem por cima da carne seca". As pessoas me enojam, salvo alguns poucos exemplares. Humanos são mesmo extremos, ou lixo ou ouro. Gostaria de conhecer mais pepitas de ouro por aí.
Por exemplo, vejo gente que gosta de falar mal dos meus cosplays, ou de eu ser metida a nerd/geek, de eu ter uma banda, mesmo eu tendo descobrido esses meus lados mais artísticos só agora. Vejo gente (pasmem) que fica de planinho maligno, espionando e fofocando sobre os outros por aí. Vejo gente falando mal do meu cabelo pintado, das minhas roupas jogadas, do meu estilo de vida, mas que nunca se deu o trabalho de me olhar com paciência, me conhecer, me dar a chance de ser alguém importante em suas vidas. É muito triste ver pessoas que você ama sofrerem por isso, tendo que ser grossas e rudes pra afastar gente assim. É triste ver os seus amigos, que você ama e conhece a séculos, se afastarem de você por causa dessa gente nojenta e psicopata. É triste ver animais sofrerem pelas mãos dessa mesma gente sem coração, sem consciência, sem empatia. É triste viver nesse mundo e ver tudo isso acontecendo.
Mas ao mesmo tempo, tenho fé de encontrar e salvar quantas almas eu puder no meu caminho. Desfazer brigas, pedir desculpas, dar "bom dia", dar chocolates, fazer o trabalho da aula que o amigo não teve tempo de fazer, dividir a comida que a colega não teve tempo pra fazer, dar bons conselhos, ajudar, ajudar, ajudar. Em tudo que eu puder, pra todos que eu puder, sem esperar retorno, apenas com o intuito de ver mais um sorriso se espalhando no mundo, e quem sabe assim, ajudar na corrente do bem que eu sei que circula em algum lugar por aí.
É triste, mas esperançosamente eu digo: um dia não será mais tanto.
Por exemplo, vejo gente que gosta de falar mal dos meus cosplays, ou de eu ser metida a nerd/geek, de eu ter uma banda, mesmo eu tendo descobrido esses meus lados mais artísticos só agora. Vejo gente (pasmem) que fica de planinho maligno, espionando e fofocando sobre os outros por aí. Vejo gente falando mal do meu cabelo pintado, das minhas roupas jogadas, do meu estilo de vida, mas que nunca se deu o trabalho de me olhar com paciência, me conhecer, me dar a chance de ser alguém importante em suas vidas. É muito triste ver pessoas que você ama sofrerem por isso, tendo que ser grossas e rudes pra afastar gente assim. É triste ver os seus amigos, que você ama e conhece a séculos, se afastarem de você por causa dessa gente nojenta e psicopata. É triste ver animais sofrerem pelas mãos dessa mesma gente sem coração, sem consciência, sem empatia. É triste viver nesse mundo e ver tudo isso acontecendo.
Mas ao mesmo tempo, tenho fé de encontrar e salvar quantas almas eu puder no meu caminho. Desfazer brigas, pedir desculpas, dar "bom dia", dar chocolates, fazer o trabalho da aula que o amigo não teve tempo de fazer, dividir a comida que a colega não teve tempo pra fazer, dar bons conselhos, ajudar, ajudar, ajudar. Em tudo que eu puder, pra todos que eu puder, sem esperar retorno, apenas com o intuito de ver mais um sorriso se espalhando no mundo, e quem sabe assim, ajudar na corrente do bem que eu sei que circula em algum lugar por aí.
É triste, mas esperançosamente eu digo: um dia não será mais tanto.
1 de fev. de 2017
Eu ainda espero muito da vida
Espero sim. Espero e terei.
Aquela noite romântica com luzinhas e declarações
Aquela surpresa maravilhosa e romântica e nostálgica
Eu espero magia
Espero me sentir especial e única
Espero ainda sentir ventos dos quatro cantos do mundo
E poder gravar em mim a diferença dos seus tons
Espero ainda aventura e liberdade
Espero passarinhos na janela
E chá com docinhos
Espero ainda o arrepio na pele
E a força nas mãos
Pra abraçar qualquer coisa a vista
Antes de dormir
Assim feliz voltarei a ser
Espero o sorriso no rosto
Disposição a qualquer momento
Porque não importa onde
Desde que seja juntos.
Espero a loucura, a insanidade
De querer tanto assim viver
E o não conformismo
E o "vamos lá fora"
Porque o mundo é enorme
Enorme demais
Pra se sentar e esperar a vida passar.
Ainda espero mais intensidade.
E terei.
Independente de qualquer um além de mim.
Aquela noite romântica com luzinhas e declarações
Aquela surpresa maravilhosa e romântica e nostálgica
Eu espero magia
Espero me sentir especial e única
Espero ainda sentir ventos dos quatro cantos do mundo
E poder gravar em mim a diferença dos seus tons
Espero ainda aventura e liberdade
Espero passarinhos na janela
E chá com docinhos
Espero ainda o arrepio na pele
E a força nas mãos
Pra abraçar qualquer coisa a vista
Antes de dormir
Assim feliz voltarei a ser
Espero o sorriso no rosto
Disposição a qualquer momento
Porque não importa onde
Desde que seja juntos.
Espero a loucura, a insanidade
De querer tanto assim viver
E o não conformismo
E o "vamos lá fora"
Porque o mundo é enorme
Enorme demais
Pra se sentar e esperar a vida passar.
Ainda espero mais intensidade.
E terei.
Independente de qualquer um além de mim.
11 de out. de 2016
Só gostaria que você soubesse
Que eu me peguei relendo nossas conversas
Aquelas cheias de poesia
E histórias fantasiosas
Sobre como eu era uma rainha
E você meu servo de amor...
Sobre como eu era um ser de luz selvagem
E você era um caçador
Que aceitaria morrer
Se pudesse ser nos meus braços
Gostaria que você soubesse
Que sempre fui uma romântica
Incurável
Irreparável
Sempre cheia de esperanças
De que na próxima vai dar boa!
Gostaria que você soubesse
Que mesmo que o amor agora
Se mostre de jeitos mais sutis
E rotineiros
Eu ainda gostaria de sentir
A poesia
A música
Tua respiração na minha pele
Tua dedicação pura
Só pra me ver feliz
E não por obrigação
E nem só pro namoro continuar
Mas puramente porque é mágico
E bonito, e faz tão bem!
Gostaria que você soubesse
Que ainda te amo muito
E amo o que somos
Mas amava tanto mais o que éramos...
Cheios de luz
Palavras bonitas
Dedicação poética
Coisas tão bobas
Que relendo as conversas
Fiquei até sem jeito
Pensando comigo mesma
Que idiotas apaixonados!
Gostaria que você soubesse
Que quando éramos idiotas juntos
Eu era a mulher mais feliz do mundo
Que suspirava ao ir dormir
E que abraçava o travesseiro e chorava de felicidade e acordava pulando e enfrentava o cacete que fosse só pra te ver e dormir nos teus braços quentes e amantes!
Gostaria que você soubesse
Que eu gostaria que você não desistisse de mim
Nem do nosso amor bobo cheio de poesia e ritmo
E que eu gostaria muito muito
Que você notasse isso sem eu pedir...
Que notasse meus potes de vidro cheios de amor
E meus jantares românticos a luz de velas
E quando eu coloco um pijama sexy pra você
E as luzes na minha parede
Que não acendem mais...
E acima de tudo
O quanto estou esticando esse poema
Como se fosse um apelo
Um pedido
Do qual eu não quero desistir nunca
No qual eu continuo insistindo
Na esperança de ser atendido
Logo
E sem eu ter que pedir.
Ops
Que eu me peguei relendo nossas conversas
Aquelas cheias de poesia
E histórias fantasiosas
Sobre como eu era uma rainha
E você meu servo de amor...
Sobre como eu era um ser de luz selvagem
E você era um caçador
Que aceitaria morrer
Se pudesse ser nos meus braços
Gostaria que você soubesse
Que sempre fui uma romântica
Incurável
Irreparável
Sempre cheia de esperanças
De que na próxima vai dar boa!
Gostaria que você soubesse
Que mesmo que o amor agora
Se mostre de jeitos mais sutis
E rotineiros
Eu ainda gostaria de sentir
A poesia
A música
Tua respiração na minha pele
Tua dedicação pura
Só pra me ver feliz
E não por obrigação
E nem só pro namoro continuar
Mas puramente porque é mágico
E bonito, e faz tão bem!
Gostaria que você soubesse
Que ainda te amo muito
E amo o que somos
Mas amava tanto mais o que éramos...
Cheios de luz
Palavras bonitas
Dedicação poética
Coisas tão bobas
Que relendo as conversas
Fiquei até sem jeito
Pensando comigo mesma
Que idiotas apaixonados!
Gostaria que você soubesse
Que quando éramos idiotas juntos
Eu era a mulher mais feliz do mundo
Que suspirava ao ir dormir
E que abraçava o travesseiro e chorava de felicidade e acordava pulando e enfrentava o cacete que fosse só pra te ver e dormir nos teus braços quentes e amantes!
Gostaria que você soubesse
Que eu gostaria que você não desistisse de mim
Nem do nosso amor bobo cheio de poesia e ritmo
E que eu gostaria muito muito
Que você notasse isso sem eu pedir...
Que notasse meus potes de vidro cheios de amor
E meus jantares românticos a luz de velas
E quando eu coloco um pijama sexy pra você
E as luzes na minha parede
Que não acendem mais...
E acima de tudo
O quanto estou esticando esse poema
Como se fosse um apelo
Um pedido
Do qual eu não quero desistir nunca
No qual eu continuo insistindo
Na esperança de ser atendido
Logo
E sem eu ter que pedir.
Ops
14 de set. de 2016
Preciso desabafar, então lá vem textão.
Desde pequena sempre fui muito cobrada. E via coisas estranhas acontecerem. Coisas que fugiam do meu controle e compreensão, e que hoje percebo como influenciaram quem eu sou e as coisas que eu odeio ou não consigo amar completamente. Fui a primogênita de 8 meses depois do casamento, no começo de uma vida bastante miserável, com pouco dinheiro, pouco tempo e pouco afeto. Minha mãe sempre foi mais carinhosa, e até certo ponto ela era minha melhor amiga. Mas meu pai... sempre foi só uma figura a qual eu sabia que tinha que respeitar porque estava sempre certa. Ele e minha mãe tiveram vários problemas conjugais (e extra-conjugais), que me fizeram ter lembranças até hoje da minha mãe chorando e dizendo que eu nunca poderia me deixar ser dependente de ninguém, que eu devia ser independente e dona do meu próprio nariz. Além disso, ela era também extremamente dependente emocionalmente dele, entao era sempre uma montanha russa de amor e ódio, que me fez chegar ao meu primeiro namoro mal-sucedido, abusivo e humilhante. Tirei minha virgindade com meu primeiro namorado, e fiquei com ele 3 anos, aturando brigas ridículas de possessividade sem sentido, aturando um bêbado que me acusava de ser uma vadia e me deixava com o braço roxo constantemente, vivendo com medo de ficar solteira e perder meu amor verdadeiro (porque minha mãe casou com seu primeiro homem, que também é seu amor verdadeiro, doentio o suficiente pra sair de casa em um dia planejado para traí-la e entregar um maço de cigarros a ela dizendo que ela ia precisar, fazendo-a fumante até os dias de hoje, coisa que eu nunca analisei em minha ignorância naquela época). Já por outro lado, meu pai bradava aos quatro ventos que quando eu saísse do ensino médio, ele ia me dar um apartamento e faculdade, pra eu me formar e me dar bem na vida. E assim eu me criei, sem nenhuma base rígida do que é família (além de respeitar acima de tudo, e quando estiver contrastando as ideias, é porque eu estou errada), com dois modelos de comportamento que eu devia seguir, e pouco incentivo real pra qualquer um dos dois. Virei rebelde. Depois que terminei meu primeiro namoro, me senti livre pra ser eu mesma. Saí de casa com meus 17 anos e fui morar fora, e já estando em uma cidade grande e convivendo com pessoas de personalidade e amor-próprio bastante fortes, pude entender um pouco melhor a miséria emocional em que eu estava. E depois, como falei, virei rebelde. Sempre escutando rock, toda de preto, ideais fortes de independência e vida simples. É o que minha mãe me dizia: ser independente, não depender de homem, ser quem paga as contas e dá chute em bundas desprevenidamente apaixonadas. Mas sempre fui emocionalmente muito fraca, e qualquer pingo de amor na minha direção era superestimado e eu também sempre fui emocionalmente bastante dependente do meu parceiro. Bem maluco, né?
Enfim, agora namoro um cara equilibrado, que conseguiu abrir meus olhos a ponto de eu re-analisar minha vida inteira (como estou fazendo um pouco aqui), e perceber que a culpa não é minha. Eu não preciso conviver me odiando por ser ansiosa, sentimental demais, com medo de rejeição e de conflito, e ao mesmo tempo cheia de ego e sonhadora. Ele me fez perceber que aquilo que meus pais criticam de serem sonhos bobos, na verdade, são super palpáveis e realizáveis, e que eu só preciso de determinação o suficiente e um cadinho de bons contatos.
Por isso, gostaria de desabafar, que minha confusão e desestabilidade emocional e psicológica esteve comigo desde quando eu nasci, e por isso, fiz escolhas erradas e precipitadas, e sou muito julgada por isso. Só que não vou deixar o ego de não poder errar estragar minha vida (mesmo que ela seja um pouco estragada por esse exagero de julgamento). Vou continuar tentando, com o seu o apoio da minha família. Vou continuar lutando pra encontrar meu lugar no mundo. Vou continuar sonhando e querendo fazer deste mundo um lugar melhor, mesmo sendo besteira aos olhos deles. Vou continuar acreditando, e perdoando, mesmo que me decepcione mais mil vezes.
Porque isso, esse traço, eu sei que é genuinamente meu. Nenhum deles é assim, nenhum deles nunca me incentivou a seguir sonhos grandes (a não ser os que envolvessem muito dinheiro). Essa determinação de perdoar e continuar acreditando nas pessoas, esse amor pelas coisas mágicas e boas, esses sonhos grandes e bonitos, isso eu sei que é tudo meu.
E não vou abrir mão do que eu mais amo em mim.
Desde pequena sempre fui muito cobrada. E via coisas estranhas acontecerem. Coisas que fugiam do meu controle e compreensão, e que hoje percebo como influenciaram quem eu sou e as coisas que eu odeio ou não consigo amar completamente. Fui a primogênita de 8 meses depois do casamento, no começo de uma vida bastante miserável, com pouco dinheiro, pouco tempo e pouco afeto. Minha mãe sempre foi mais carinhosa, e até certo ponto ela era minha melhor amiga. Mas meu pai... sempre foi só uma figura a qual eu sabia que tinha que respeitar porque estava sempre certa. Ele e minha mãe tiveram vários problemas conjugais (e extra-conjugais), que me fizeram ter lembranças até hoje da minha mãe chorando e dizendo que eu nunca poderia me deixar ser dependente de ninguém, que eu devia ser independente e dona do meu próprio nariz. Além disso, ela era também extremamente dependente emocionalmente dele, entao era sempre uma montanha russa de amor e ódio, que me fez chegar ao meu primeiro namoro mal-sucedido, abusivo e humilhante. Tirei minha virgindade com meu primeiro namorado, e fiquei com ele 3 anos, aturando brigas ridículas de possessividade sem sentido, aturando um bêbado que me acusava de ser uma vadia e me deixava com o braço roxo constantemente, vivendo com medo de ficar solteira e perder meu amor verdadeiro (porque minha mãe casou com seu primeiro homem, que também é seu amor verdadeiro, doentio o suficiente pra sair de casa em um dia planejado para traí-la e entregar um maço de cigarros a ela dizendo que ela ia precisar, fazendo-a fumante até os dias de hoje, coisa que eu nunca analisei em minha ignorância naquela época). Já por outro lado, meu pai bradava aos quatro ventos que quando eu saísse do ensino médio, ele ia me dar um apartamento e faculdade, pra eu me formar e me dar bem na vida. E assim eu me criei, sem nenhuma base rígida do que é família (além de respeitar acima de tudo, e quando estiver contrastando as ideias, é porque eu estou errada), com dois modelos de comportamento que eu devia seguir, e pouco incentivo real pra qualquer um dos dois. Virei rebelde. Depois que terminei meu primeiro namoro, me senti livre pra ser eu mesma. Saí de casa com meus 17 anos e fui morar fora, e já estando em uma cidade grande e convivendo com pessoas de personalidade e amor-próprio bastante fortes, pude entender um pouco melhor a miséria emocional em que eu estava. E depois, como falei, virei rebelde. Sempre escutando rock, toda de preto, ideais fortes de independência e vida simples. É o que minha mãe me dizia: ser independente, não depender de homem, ser quem paga as contas e dá chute em bundas desprevenidamente apaixonadas. Mas sempre fui emocionalmente muito fraca, e qualquer pingo de amor na minha direção era superestimado e eu também sempre fui emocionalmente bastante dependente do meu parceiro. Bem maluco, né?
Enfim, agora namoro um cara equilibrado, que conseguiu abrir meus olhos a ponto de eu re-analisar minha vida inteira (como estou fazendo um pouco aqui), e perceber que a culpa não é minha. Eu não preciso conviver me odiando por ser ansiosa, sentimental demais, com medo de rejeição e de conflito, e ao mesmo tempo cheia de ego e sonhadora. Ele me fez perceber que aquilo que meus pais criticam de serem sonhos bobos, na verdade, são super palpáveis e realizáveis, e que eu só preciso de determinação o suficiente e um cadinho de bons contatos.
Por isso, gostaria de desabafar, que minha confusão e desestabilidade emocional e psicológica esteve comigo desde quando eu nasci, e por isso, fiz escolhas erradas e precipitadas, e sou muito julgada por isso. Só que não vou deixar o ego de não poder errar estragar minha vida (mesmo que ela seja um pouco estragada por esse exagero de julgamento). Vou continuar tentando, com o seu o apoio da minha família. Vou continuar lutando pra encontrar meu lugar no mundo. Vou continuar sonhando e querendo fazer deste mundo um lugar melhor, mesmo sendo besteira aos olhos deles. Vou continuar acreditando, e perdoando, mesmo que me decepcione mais mil vezes.
Porque isso, esse traço, eu sei que é genuinamente meu. Nenhum deles é assim, nenhum deles nunca me incentivou a seguir sonhos grandes (a não ser os que envolvessem muito dinheiro). Essa determinação de perdoar e continuar acreditando nas pessoas, esse amor pelas coisas mágicas e boas, esses sonhos grandes e bonitos, isso eu sei que é tudo meu.
E não vou abrir mão do que eu mais amo em mim.
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