28 de jan. de 2018

A sensação de torpor pra mente
É como um doce

É como alimentá-la de algo que a satisfaça
Que a acalme
Que a faça gozar

Ficar embriagada
De pensamentos
De lágrimas
De amor
De paranoias

É dar à mente um momento de paz e de prazer

É fazer com que tudo o que incomoda, que preocupa
Simplesmente desapareça
E dê lugar a um prazer todo embaçado
Todo confuso
Mas ainda assim bom

Porque afinal
Geralmente aquilo que mais te faz feliz
Não te dá explicação nenhuma.

O agitado, sujo, violento
O limpo, puro, calmo

Há vários jeitos de gozar com a alma
E nenhum deles é errado.

Basta deixar que aconteça
Basta lembrar que é preciso, de vez em quando, ser um idiota sentimental.

8 de ago. de 2017

Seria isso tudo um sinal de que devo parar? Duas entre duas vezes que tentei, deu errado.

Talvez seja um sinal, e talvez eu deva segui-lo.

Essa sujeira toda me deixa indisposta, me tira a vontade e a libido, me faz querer só me enfiar num buraco e ficar ali.

Ficar nessa corda bamba me mata. Cada segundo que passa, eu sinto meu peito apertar e doer mais. Precisava resolver tudo, precisava falar, precisava entender. Não sei quanto tempo mais eu aguento desse jeito. Não sou feita pra isso. :(

Eu preciso colocar pra fora, o quanto estou triste e frustrada e decepcionada e puta.

Eu preciso deitar e chorar até dormir, preciso de um descanso do mundo, preciso de menos pessoas e mais almas. Preciso de uma limpeza de espírito forte o suficiente pra me fazer acreditar de novo que o mundo ainda precisa de mim.

Porque sinceramente, eu acho que estrago muito mais do que conserto.

Quero paz, quero deitar sossegada, encostar minha cabeça no travesseiro e sorrir. Quero poder ajudar e mostrar pras pessoas que eu não sou um monstro. Ou será que sou?
Hoje eu me sinto suja.

Suja de amor, suja de querer o bem de alguém, suja de culpa por se divertir.

Suja de acreditar, suja de perdoar, suja de tentar.

Suja de coração, suja de pecado, suja de suor que não é nem deveria ser meu.

Suja de não saber pra onde ir, suja de tristeza pela perda, suja até de terra.

Sim, porque eu deveria mesmo é me enterrar, e ficar lá, sozinha e feliz.

Amar suja, eu sei que isso é normal, mas suja tanto assim mesmo? Será que sou eu quem sujo os outros? 

Talvez seja um sinal. E começo a ver que a sujeira em mim forma uma frase: "Pare de tentar tanto, pare de querer sempre agradar, pare de ser assim."

E agora? Eu limpo a sujeira de mim e consequentemente apago a frase? E agora?

Acho que não tem jeito. O jeito é desumanizar, é limpar tanto até virar uma ala hospitalar de primeira classe, e depois disso, não pisar mais em lugar algum. O jeito é não arriscar mais.












Quem me dera eu pudesse entender direito, acho que meu cérebro está cheio de sujeira.

19 de mai. de 2017

Um suspiro entre o cinza e o egoísmo

Anteontem, caminhando da aula pra casa, percebi uma pequena grandona em meu caminho de um jeito que nunca antes a havia visto: sufocada, porém lutando e viva! Em uma calçada que mal suporta uma pessoa caminhando, havia uma árvore plantada. À sua frente, um poste de energia com fios baixos e pesados, e atrás de si, uma cerca que protegia uma casa, de tamanho médio, quase alto. Por entre os dois elementos, mal dava espaço para o sol chegar ao chão, mas mesmo assim, a árvore encontrou um meio de sobreviver ali. Completamente inclinada e apertada, mas ainda assim, tão verde e firme quanto qualquer árvore possa ser! E eu a admirei, e a amei, e quis cuidar dela. Mesmo em uma situação adversa e nada agradável, mesmo sendo uma árvore, que deveria ser firme, dura, fixa, esta pequena grande guerreira deu seu jeito, se dobrou, se torceu, foi flexível, e assim, sobreviveu, e agora colhe os melhores frutos de sol, lá de cima, onde não há sombras atrapalhando e por onde os pássaros tem livre acesso para habitá-la e fazê-la feliz. A vida é mesmo uma lição aprendida nos detalhes, que se aproveita apenas quando os olhos da alma se abrem para o mundo. É preciso delicadeza para notar as sutis vidas em uma cidade grande, e já havia algum tempo que eu não conseguia mais notar.